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A retomada do analógico: por que o antigo volta a ser o atual?

  • Foto do escritor: Thaissa Santos
    Thaissa Santos
  • há 2 horas
  • 2 min de leitura

O retrocesso de revelar filmes, comprar DVDs em uma locadora ou ler textos impressos tornou-se viral


Câmera instantânea preta, toca-discos com vinil e relógio analógico em fundo verde, com explosões amarelas ao redor.
Ilustração Digital por Laís Fidélis

Em um mundo dominado pelo streaming e o digital, um movimento inesperado vem ganhando força: a redescoberta pelo analógico. O retorno de tecnologias e hábitos considerados ultrapassados se revolucionaram e tornaram-se populares diante dos jovens. O vinil, por exemplo, expandiu as vendas em diversos países, e o mercado de câmeras analógicas subiu consideravelmente. Mas por que, em uma era onde tudo está ao alcance de um clique, as pessoas voltam a buscar experiências prévias?


A resposta pode estar na nostalgia, na busca por autenticidade e na necessidade de exclusivismos. Diante da hiper conectividade, uma parte da sociedade juvenil procura por relações mais convexas ao estarem longe das telas e mensagens de texto. O clique afasta o poder das relações interpessoais, transformando-as em um processo efêmero, substituível.


Essa aceleração constante da tecnologia, com atualizações quase diárias e uma quantidade infinita de informações circulando em tempo real pode gerar um sentimento de urgência contínua. As pessoas passam a sentir que estão sempre “atrasadas” ou “perdendo algo”, o que alimenta a ansiedade e a impaciência. Em meio a esse ritmo frenético, o resgate do digital funciona quase como um antídoto: quando se escolhe ouvir um disco de vinil do começo ao fim, revelar um filme fotográfico ou até ler um livro impresso.


Na perspectiva da “modernidade líquida” proposta pelo filósofo e sociólogo Zygmunt Bauman, tudo ao nosso redor torna-se cada vez mais volátil, incerto e momentâneo. Essa fluidez se manifesta na forma como consumimos informações, bens culturais e até mesmo em relacionamentos. Com a tecnologia avançada em ritmo acelerado, o “novo” de hoje se torna obsoleto em pouquíssimo tempo, gerando uma sensação incessante de urgência e insuficiência.


Toca-discos vintage bege com vinil sobre ele, em frente a parede texturizada, com clima nostálgico.
Vitrola antiga. Fonte: Pexel.

Assim, a volta do analógico pode ser interpretada como um gesto de resistência a essa efemeridade. Afinal, o revival desses hábitos não são apenas uma questão de nostalgia, mas também um reflexo do desejo em recuperar uma relação mais tátil e significativa com o mundo ao redor. O digital, embora eficiente, muitas vezes elimina o contato sensorial com a experiência. Ao manusear uma conexão física que a tecnologia não consegue reproduzir, cria-se um sentimento de pertencimento e autenticidade, elementos cada vez mais valorizados por uma geração que cresceu imersa na virtualidade.


Além disso, o analógico traz consigo uma noção de padrão. Diferente da instantaneidade digital, ele exige paciência e envolvimento: escolher processos que demandam tempo e atenção. Esse tipo de consumo desacelerado contrasta com a lógica de gratificação imediata proporcionada pelo digital, incentivando uma experiência mais consciente e contemplativa.


Outro fator importante é o exclusivismo. Em um mundo onde quase tudo pode ser acessado por qualquer pessoa, possuir algo raro ou único se tornou um novo luxo. Peças arcaicas carregam consigo uma aura de raridade e personalidade, criando um senso de identidade para quem os utiliza. Isso também explica o crescimento do mercado de segunda mão e da cultura “vintage”, onde objetos com história ganham valor e significado.


Dessa forma, a volta do analógico não é apenas uma tendência passageira, mas um sintoma de anseio maior: o desejo por vivências mais profundas e menos descartáveis em um mundo cada vez mais rápido e efêmero.

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