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Dicas de leitura para lutar contra o Brain Rot

  • Foto do escritor: Laís Fidélis
    Laís Fidélis
  • 28 de jun.
  • 10 min de leitura

Sugestões de leitura de uma pessoa que, assim como você, está lutando contra as 8 horas diárias de tela


Ilustração Digital por Laís Fidélis
Ilustração Digital por Laís Fidélis

Começar o ano querendo ser alguém diferente é um clichê que muitos não conseguem escapar. A virada do ano parece com a notificação do sistema operacional de um celular: “Ei, a sua nova atualização IOS 2026 já está disponível. Instale agora e seja a sua melhor versão!”.


A vida contemporânea exige uma versão cada vez mais performática: mais magra, mais produtiva, mais tecnológica. Retornar o hábito de leitura costuma ser um dos tópicos de melhoria: “você deveria ler mais para ser melhor!” “leia 3 livros por mês e se destaque” “leituras imperdíveis para se tornar sua melhor versão”.


Mas e se… voltássemos a ler por gostar de literatura?


O imperativo de ler precisa deixar de ser a palavra de ordem da performance e retornar a ser um momento de descanso - agora ainda mais necessário do que antes, para os olhos cansados das telas.


“Brain Rot” é uma expressão do inglês para a “deterioração cerebral” causada pelo acesso ilimitado à internet. Pode parecer um termo um tanto quanto alarmista, mas quem de nós pode negar que o consumo excessivo de conteúdo digital é realmente nocivo?


Ler e escrever é resultado de anos de evolução humana e, por mais que a tecnologia possa ser uma aliada, será que devemos otimizar uma atividade tão intrinsecamente humana?


É sério: apenas volte a ler algo que não seja escrito para redes sociais ou pelo CHAT GPT. Aqui vão seis dicas para voltar a ler na era digital e uma lista de 10 títulos como indicação de leitura para 2026.


1) Não coloque metas muito altas, ok?


Sim, um livro por mês pode ser muita coisa para quem não leu nenhum em 2025. Que tal se a sua meta for simplesmente ler mais do que o ano passado? Mesmo que isso represente um ou dois livros, se forem leituras bem feitas e que realmente te interessam, já é válido!


2) Você vai ter dificuldade: e tudo bem :)


O tempo médio de atenção de um usuário está entre 8 e 10 segundos, de acordo com as métricas das próprias redes sociais. Isso quer dizer que sua mente vai perder a concentração com maior frequência e agora você precisa usar suas melhores estratégias para manter o foco:


  1. Deixe o seu celular longe, se possível desligado;

  2. Tente deixar as luzes do seu ambiente agradáveis;

  3. Se você gostar, coloque um Lo-fi para ajudar na concentração.


Nada de comparações, viu? Ignore os booktokers que lêem trinta páginas por dia ou um livro por semana. Você também não precisa se comparar à uma versão sua mais nova que lia com maior frequência… Abrace o fato que você está tentando e seja empático com seu próprio processo.


3) Mantenha seu interesse por leitura ativo!


Mais do que ler, é importante continuar pensando sobre leituras que te interessam. Navegue e explore sua curiosidade. O que seus amigos estão lendo? É uma ótima oportunidade para buscar novos tópicos de interesse. Quais livros estão na estante daquele Youtuber que você acompanha? É a melhor hora para você visitar uma livraria e apenas folhear títulos.


4) Pare de performar (imediatamente)


Você não precisa ler sobre política e economia nesse momento de retorno à leitura. Você também não precisa ler em inglês agora. Na verdade, você só precisa focar em uma leitura que dê aquela vontade de saber mais.


Leituras leves podem trazer novas perspectivas: livros coreanos estão em alta por serem tranquilos como um chá quente ao fim de tarde, por exemplo. Temos ainda as leituras hots para quem gosta de algo mais apimentado e que traga emoção e - quem sabe - as séries nostálgicas que marcaram nossas infâncias (mesmo que seja diário de uma banana).


Procure ler algo que traga a sensação de querer saber mais ao final de um capítulo. Assim, você vai ficar pensando na leitura ao longo do dia e com a curiosidade de voltar a ler o mais rápido possível!


5) Crie uma comunidade de apoio!


Ok, é um sonho pessoal da autora que vos escreve criar um grupo de leitura… Mas quem sabe você não encontra um ou dois amigos para ler o mesmo livro ao mesmo tempo?


Caso seus amigos também tenham sido abduzidos pelo ato de scrollar infinitamente, procure os fandoms que falam sobre sua leitura atual na internet.


6) Hábitos: uma palavra tão usada por coachs que quase já perdeu o significado


Você acha mesmo que vai acordar às 5 horas da manhã para ler enquanto come um avocado toast?


É hora de planejar uma rotina prática e sem ideias mirabolantes de produtividade. Procure o melhor horário para ler: se você fica com sono ao ler, talvez não seja uma boa ideia ler de noite ou pela manhã.


Pense em horários que você geralmente busca conforto nas redes sociais: salas de espera, no transporte ou enquanto aguarda seu almoço ficar pronto. O que importa é continuar tentando e entender o que funciona pra você.


Ok, agora a lista de indicação de leitura:



Num clima de muito mistério e suspense,cinco estudantes – os Karas – enfrentam uma macabra trama internacional: o sinistro Doutor Q.I. pretende subjugar a humanidade aos seus desígnios aplicando na juventude uma perigosa droga! E essa droga já está sendo experimentada em alunos dos melhores colégios de São Paulo.


Uma leitura curta com gostinho de juventude. Em tempos mais fáceis, em que a quadra do colégio representa um universo completo, Pedro Bandeira traça uma narrativa envolvente.



Quem vai te contar essa história é uma criança de 11 anos. O olhar fresco e bem-humorado de quem ainda vê a vida como mistério está aqui, mas vá por mim: não subestime a solidão de Maria Carmem.

- Avaliação da Amazon


A aprendiz de escritora, enfrentando as angústias da “pior idade do universo”, irá te provar que é possível, sim, que uma menina seja mais solitária do que um velho. Ao menos uma menina que, como ela, cresce e cria suas perguntas entre os objetos de uma “loja de velhos”. Ali elas já nascem antigas, frescas e pesadas, doce feito da mais dura poesia. Maria Carmem nasceu no fim. Sendo assim, do que interessa a idade? Como ela mesma diz, “é possível que um lápis pareça estar novo, mas todo quebrado por dentro”.


É assim, toda quebrada por dentro, que ela desconstrói o mundo diante de si, o mundo adulto que cria regras e não as obedece, o mundo escolar, tudo: “na aula de matemática o problema dizia que um menino e uma menina precisavam calcular quantas laranjas levar ao parque se os convidados meninos comiam tantas e as meninas só mais tantas cada uma. E eu escrevi que não era pra levar nenhuma, que tudo é mentira, ninguém vai junto a parque nenhum nessa vida.”


É também assim que ela junta e faz perguntas e faz poesia com tudo o que se ergue e desmorona: os pais, deus, o amor, o corpo, a morte, o difícil que é entender o amor dos outros.


Quando crescer, Maria Carmem vai ser escritora. Mas Maria Carmem já cresceu e já é. Esse livro é uma generosidade de sua poesia. Uma oportunidade de a gente crescer com ela.



A nordestina Macabéa, a protagonista de A hora da estrela, é uma mulher miserável, que mal tem consciência de existir. Depois de perder seu único elo com o mundo, uma velha tia, ela viaja para o Rio, onde aluga um quarto, se emprega como datilógrafa e gasta suas horas ouvindo a Rádio Relógio.


A Hora da Estrela traz consigo a forte presença de um narrador que conta a história ao mesmo tempo que a escreve, característica peculiar da autora. Clarice cria até um falso autor para seu livro, o narrador Rodrigo S.M., mas nem assim consegue se esconder.


Entre a realidade e o delírio, buscando social enquanto sua alma a engolfava, Clarice escreveu um livro singular. A hora da estrela é um romance sobre o desamparo a que, apesar do consolo da linguagem, todos estamos entregues — José Castello, jornalista, escritor e Mestre em Comunicação pela UFRJ



Trata-se de um mosaico afetuoso de experiências negras, um canto amoroso e dolorido. Na figura do personagem Fio Jasmim, Conceição discute com maestria as contradições e complexidades em torno da masculinidade de homens negros e os efeitos nas relações com as mulheres negras. O livro é um mergulho na poética da escrevivência e ao mesmo tempo um tributo ao amor sob uma ótica poucas vezes vista na literatura brasileira.



Depois de anos na profissão, havia 84 dias que o velho pescador Santiago não apanhava um único peixe. Por isso já diziam se tratar de um azarento da pior espécie. Mas ele possui coragem, acredita em si mesmo, e parte sozinho para alto-mar, munido da certeza de que, desta vez, será bem-sucedido no seu trabalho.


Esta é a história de um homem que convive com a solidão, com seus sonhos e pensamentos, sua luta pela sobrevivência e a inabalável confiança na vida. Com um enredo tenso que fisga o leitor na ponta da linha, Hemingway escreveu uma das mais belas obras da literatura contemporânea. Uma história dotada de profunda mensagem de fé no homem e em sua capacidade de superar as limitações a que a vida o submete.


Escrito em 1952, O velho e o mar venceu o Prêmio Pulitzer de Ficção e foi fator decisivo para a premiação de Hemingway com o Nobel de Literatura em 1954.



Em seu ensaio icônico “Os Homens Explicam Tudo para Mim”, Rebecca Solnit foca seu olhar inquisitivo no tema dos direitos da mulher começando por nos contar um episódio cômico: um homem passou uma festa inteira falando de um livro que “ela deveria ler”, sem lhe dar chance de dizer que, na verdade, ela era a autora.



Todo mundo conhece os quadrigêmeos do hóquei. O perfeitinho, o carismático, o super inteligente e... o outro. Tomas McKinley é esse outro. Criado à sombra dos irmãos, ele precisa se destacar porque as chances de que um time de hóquei o procure depois da formatura são baixas. Tom precisa ser mais do que o quarto irmão geek, virgem e que talvez um dia seja um profissional.


E uma garota pode ajudá-lo com isso…



Antologia dos poemas mais emblemáticos do poeta Manoel de Barros publicados ao longo de setenta anos.


Manoel de Barros é um dos poetas mais originais de nosso tempo. Sua obra inaugura um estilo único, que transforma a natureza, os objetos e a própria condição humana em expressões poéticas carregadas de significado e emoção. Esta antologia inédita reúne poemas de todas as fases do escritor, oferecendo um panorama abrangente de sua produção literária.



Alternando as vozes de Rosa e Leo, ambos adolescentes de 14 anos novos no mesmo colégio, “Ela disse, ele disse” é um divertido romance que mostra como meninos e meninas podem sentir as mesmas coisas, mas pensar e agir de modo muito diferente.


Mas apesar de todas as diferenças, os olhares desses dois filhos únicos de pais separados insistem em se cruzar desde o primeiro dia de aula na escola Dinâmica. Ele foi logo puxando conversa com ela, deslocada no canto da sala. “Ai, que fofo”!, pensa Rosa, já certa de que Leo, além de muito educado, estava super interessado nela; mas tão rápido e descolado quanto demonstra ser para se aproximar, não pensa duas vezes antes de dar as costas à garota e se juntar à ala masculina da turma para integrar o time de futebol na hora do recreio. “Garotos... humpf”!.


Para Leo, no entanto, tudo é muito simples: “Tinha uma carteira vazia perto da janela e fui direto para lá. Para evitar ficar calado e com cara de desentrosado, puxei logo papo com uma menina que parecia estar sozinha”. E quanto ao convite para o futebol, bem, existe outra resposta possível para um garoto neste caso a não ser um objetivo e certeiro “Tô dentro”?


Abordando temas como amizade, bullying, respeito às regras e a relação entre pais e filhos, a narrativa se desenrola revelando, com ritmo e bom humor, os sonhos e angústias de meninos e meninas diante de cada situação, com direito a passagens hilárias causadas pela difícil comunicação entre os sexos.



Num pensionato de freiras paulistano, em 1973, três jovens universitárias começam sua vida adulta de maneiras bem diversas. A burguesa Lorena, filha de família quatrocentona, nutre veleidades artísticas e literárias. Namora um homem casado, mas permanece virgem. A drogada Ana Clara, linda como uma modelo, divide-se entre o noivo rico e o amante traficante. Lia, por fim, milita num grupo da esquerda armada e sofre pelo namorado preso.


As meninas colhe essas três criaturas em pleno movimento, num momento de impasse em suas vidas. Transitando com notável desenvoltura da primeira pessoa narrativa para a terceira, assumindo ora o ponto de vista de uma ora de outra das protagonistas, Lygia Fagundes Telles constrói um romance pulsante e polifônico, que capta como poucos o espírito daquela época conturbada e de vertiginosas transformações, sobretudo comportamentais.


Obra de grande coragem na época de seu lançamento (1973), por descrever uma sessão de tortura numa época em que o assunto era rigorosamente proibido, As meninas acabou por se tornar, ao longo do tempo, um dos livros mais aplaudidos pela crítica e também um dos mais populares entre os leitores da autora.



E se tudo o que é possível acontecesse? Hannah está perdida. Aos 29 anos, ainda não decidiu que rumo dar à sua vida. Depois de uma decepção amorosa, ela volta para Los Angeles, sua cidade natal, pois acha que, com o apoio de Gabby, sua melhor amiga, finalmente vai conseguir colocar a vida nos trilhos.


Para comemorar a mudança, nada melhor do que reunir velhos amigos num bar. E lá Hannah reencontra Ethan, seu ex-namorado da adolescência. No fim da noite, tanto ele quanto Gabby lhe oferecem carona. Será que é melhor ir embora com a amiga? Ou ficar até mais tarde com Ethan e aproveitar o restante da noite? Em realidades alternativas, Hannah vive as duas decisões. E, no desenrolar desses universos paralelos, sua vida segue rumos completamente diferentes.


Será que tudo o que vivemos está predestinado a acontecer? O quanto disso é apenas sorte? E, o mais importante: será que as almas gêmeas realmente existem? Hannah acredita que sim. E, nos dois mundos, ela acha que encontrou a sua.


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