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Serra do Curral: o obstáculo invisível para a arte belo-horizontina

  • Foto do escritor: Gabriela Matina
    Gabriela Matina
  • 11 de out. de 2024
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 2 dias

Ilustração por Thalia Vargas
Ilustração por Thalia Vargas

O maior desafio da cena artística de Belo Horizonte é atravessar a Serra do Curral. Como jornalista, já ouvi essa afirmação diversas vezes, de diferentes entrevistados. Foi numa dessas ocasiões que me perguntei: será que é assim mesmo? E, se for, por que isso acontece?


Por que as produções daqui não seriam capazes de ecoar pelo país, e até pelo mundo, como fazem as artes dos nossos vizinhos Rio de Janeiro e São Paulo? É fato que se produz muita cultura de qualidade em BH. Alguns conseguem romper essa barreira. Na dança, o Grupo Corpo é referência; no teatro, o Galpão é um dos mais renomados; na literatura, Carla Madeira segue como uma das autoras mais lidas do país; e, na música, FBC emplaca hits.


Será que o problema está, então, em não saber reconhecer nossos próprios avanços? Acredito que não. Os exemplos citados são exceções dentro de um vasto universo de produções culturais na cidade.


Certamente você conhece ou até é amigo de alguém que produz arte. No entanto, o processo de consumir um produto cultural vai além da qualidade das produções. O principal motivo pelo qual os artistas não conseguem uma "virada" em suas carreiras é a falta de apoio financeiro.


De acordo com dados de 2018 da Folha de São Paulo, São Paulo e Rio de Janeiro se destacam como os estados que mais investem em cultura, com despesas de 588,4 e 158,4 milhões de reais, respectivamente. Belo Horizonte aparecia em quarto lugar, com 63,8 milhões de reais, nove vezes menos que São Paulo.


Embora haja uma efervescência na produção cultural da cidade, ainda existem poucos espaços com infraestrutura adequadas e financeiramente viáveis para receber artistas de pequeno e médio porte. Também é sabido que, de modo geral, é necessário se consolidar na própria cidade antes de buscar novas audiências.


Além disso, observo uma competitividade grande entre artistas do mesmo nicho, como se dois não pudessem crescer ao mesmo tempo. Falta cooperação, e muitos acabam estagnados. O próprio cidadão belo-horizontino, em muitos casos, não valoriza tanto o trabalho do artista local. Temos o hábito de enaltecer o que vem de fora.


Mas o maior dos desafios que impactam a trajetória dos artistas é a questão financeira. Ser um artista independente é caro, e a falta de incentivo dos órgãos públicos muitas vezes os obriga a dividir seu tempo com outras profissões. Em muitos casos, é preciso conciliar a vida artística com estudo e trabalho em outras áreas. A falta de tempo para se dedicar integralmente à arte acaba a transformando em um hobby.


A resposta para os desafios da cena cultural de BH parece envolver uma combinação de esforços financeiros, cooperação entre artistas e valorização do público. Até quando a Serra do Curral continuará sendo esse obstáculo simbólico para os artistas locais?

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