top of page

Exposição ‘Entre nós’: Eu também não quero competir com meus amigos

  • Foto do escritor: Clara Campos Bicho
    Clara Campos Bicho
  • 11 de out. de 2024
  • 4 min de leitura

Atualizado: 28 de mai.

Ilustração por Theo Vargas
Ilustração por Theo Vargas

No dia 28 de setembro, visitei a exposição “Entre Nós”, que aconteceu nos dias 26, 27 e 28, na Casa Camelo, em Belo Horizonte. “Entre Nós” foi organizada pelo coletivo Despensa, formado em 2023 por Caio Marqz, Daniel Borges e Isabella Rosendo, artistas e estudantes do curso de Belas Artes da UFMG.


Eu tinha preparado algumas perguntas caso alguém da organização estivesse presente no dia, com sorte, encontrei Isabella Rosendo. Mas, em primeiro momento, visitei a exposição sem entrevistá-la, queria extrair minhas impressões mais pessoais. Não sabia o que iria encontrar: quais seriam as possíveis temáticas da mostra? Quais sentimentos as obras despertariam em mim? Como se daria a disposição das artes? Quais seriam as correspondências entre as obras dos 44 artistas que ali se integravam?


Alguns aspectos chamaram atenção, como a diversidade de suportes e técnicas artísticas: pinturas em telas, tecidos e papel, fotografias, performances e instalações, esculturas e uma videoarte. A maioria dos artistas tinha apenas uma obra ou uma série compondo a exposição. Gostaria de ter conhecido mais sobre cada um mas, por um lado, isso me causou curiosidade para pesquisar sobre os trabalhos de forma individual.


As obras, como um conjunto, não pareciam ter grandes convergências, nem de tema ou de suportes ou técnicas artísticas. A impressão que ficou é de que o maior objetivo da “Entre Nós” era o de apresentar jovens artistas belo-horizontinos ao público. Muitas exposições coletivas têm o tema das obras como o grande elo entre os diferentes artistas, como a exposição “Política e Vanguarda: 1964/85”, que visitei em agosto deste ano e reuniu mais de 300 obras, todas produzidas durante a ditadura e que, de alguma forma, criticavam o regime. No entanto, isso não é um aspecto negativo da “Entre Nós” que, inclusive, é clara em sua proposta e, como acredito que artistas devem saber, é necessária no circuito artístico de BH.


Sobre isso, minhas impressões se alinharam ao depoimento que ouvi da curadora Isabella Rosendo. “Nosso primeiro critério foi selecionar artistas e obras que se encaixassem como o contemporâneo e o emergente. A partir disso, nós (Despensa Coletivo) selecionamos todos os trabalhos que você pode imaginar, tanto dentro de técnica quanto de temática. Desde pintura acrílica até desenho bordado, tecelagem, assemblagem. Realmente uma variedade bem grande de técnica e de temática”, explica ela.


“A gente tem desde uma assemblagem com ursinhos de pelúcia até uma imagem que é referência ao Carandiru. Tem arte abstrata, tem cerâmica de alta temperatura. Nós tivemos performance também no dia da abertura”. Os trabalhos foram selecionados por meio de um edital e envio de formulário.


O fato de existirem muitas obras de diversos artistas completamente diferentes em um mesmo local me causou a sensação de realmente estar imersa em uma cena artística. Provavelmente, se houvessem muitas obras de cada integrante da exposição, essa sensação não seria a mesma. A coletividade de “Entre Nós” proporciona uma atmosfera de alguma maneira comunitária ao espectador, que pode chegar perto das artes e, com algumas, até interagir.


Isabella também comentou sobre a disposição das artes na Casa. “Realmente a gente foi na hora, abrimos todas as obras, forramos o chão, colocamos elas e vimos o que combinaria com o quê. Qual o espaço ficaria melhor, tanto que a gente aproveitou o chão. Nós aproveitamos as pilastras e todas as paredes. Algumas a gente agrupou por temática, por exemplo, uma coisa bem mais contemporânea bem colorida, a gente tem naquela parede ali, como o trabalho do Cavi (Brandão) com o trabalho do Tico (Ítalo Carajá) também. Tem outra parede que a gente abordou mais uns tons terrosos em fotografia”.


Por fim, destaco algumas obras: “Espaço na agenda” (2023), de Débora Vieira; “Gestação/Digestão” (2023), de Tatyana Müller Soares; “Além do Visível” (2023), de Daniel Borges; “Augusto de Lima, 1646, sala 1804” (2023), de Carol Peso; “Ora-pro-todes-nobis” (2022), de Helena Borges e “Ode à ma mere” (2024) de Beatriz Pessoa.


A obra “Ode à ma mere” (2024), de Pessoa, “Ode à minha mãe”, em português, sugere uma homenagem à mãe da artista. A instalação apresenta um grande entrelaçado de tecidos, dispostos no chão da galeria. Descobri que se tratava de uma performance no dia da abertura de “Entre Nós”. Não consegui ir, fui apenas no último dia da mostra. Escrevo sobre o que eu vi. Os tecidos são de variadas cores e estampas e estão trançados neles mesmos, sem deixar pontas soltas. Lembram-me penteados de tranças nos cabelos. Associei à infância, quando minha mãe me arrumava para ir para à escola, até hoje não sei fazer esse penteado, mas a minha mãe sabe. Percebo os nós, diferentes mas juntos, como algo inevitável na vida. Nós todos somos um conjunto de entrelaços, que dentro de nós permanecem, resistindo ao tempo e à materialidade. Perguntei à Isabella a relação entre os nós de “Ode à ma mere” e de “Entre Nós”, ela disse que foi uma grande coincidência.


A mostra é composta por Adriano Basilio; Amanda Jacobus; Anti 01; Ariel Ferreira; Arthur Moura Campos; Bárbara Elizei; Beatriz Pessoa; Brenda Borges; Carol Peso; Cavi Brandão; Cecília Castanha; Clara Salles; Daniela Pedrosa; Débora Vieira; Fávero; Fernanda Campos; Fernanda Gontijo; Fernando Moreira; Flaiê; Gabriel Lopo; Gabriela Sipere; Helds; Helena Borges; Iramara; Isabella Leite; Ítalo Carajá; Jonata Vieira; Laura Dias; Lavínia Alanis; Lucas Jesus; Matheus de Sousa; Mayara Nasr; Mayara Smith; Pedro Patti; Pedro Ton; Popó Tolentino; Rosana Oliveira; Tairine; Tatyana Müller Soares; Thatiane Mendes; Tolentino Ferraz; Verona Carvalho, Victor Borém e Victória Sofia.

Comentários


bottom of page