top of page

Ainda há esperança?

  • Foto do escritor: Larissa Alves
    Larissa Alves
  • 8 de nov. de 2024
  • 1 min de leitura

Atualizado: 29 de jun.

Uma segunda-feira comum revela as contradições, as dores e os lampejos de esperança escondidos na rotina


Ilustração por Thalia Vargas.
Ilustração por Thalia Vargas.

Segunda-feira. Belo Horizonte. Mais uma semana começando. Trânsito caótico. Barulho de buzina por todo lado. Até me esqueço que no fone de ouvido toca Nara Leão. Diz que fui por aí. Do álbum Manhã de Liberdade.


O ônibus vai enchendo. Os vendedores ambulantes aparecem. um vende pomada preta. Diz que melhora tudo. E que ainda tem cheiro de hortelã. E o melhor, custa apenas dez reais. Entrega pra todo mundo. Pra poder ver de perto.


É, tem gente que não tem nada. Tem pomada preta na mão. Voz de cansaço. E olhar de esperança. De ônibus em ônibus a vida vai se ganhando. Ou tentando se ganhar. chego no trabalho. Abro o computador. Logo de cara, um novo pedido de medida protetiva. Mulher. 91 anos. Ameaças de morte do filho. Entre relatos e requerimentos já não me lembro dos números. Dos nomes. E nem dos casos. Mas sei que existem. E ainda me assustam.


Saio do trabalho. Decido ir andando pra faculdade. Pra lembrar que a vida pulsa aqui do lado de fora.


Segunda-feira. O trânsito caótico. De novo. Mais um dia vai chegando ao fim. Criança saindo da escola. Trabalhador no ponto de ônibus. E os bares da região central lotados. Afinal, amanhã é terça. E brasileiro mesmo já vislumbra a sexta feira.


Entre águas de tragédia. Ainda existem faíscas de esperança. Amanhã é um novo dia.


Comentários


bottom of page