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Baile da Bôta: 5 anos valorizando a cultura nortista e nordestina

  • Foto do escritor: Ellen Morais
    Ellen Morais
  • 22 de nov. de 2024
  • 5 min de leitura

O dia em que conheci uma festa única, com uma diversidade sonora incrível e uma produção impecável


Ilustração por Thalia Vargas
Ilustração por Thalia Vargas

No último sábado, 15 de novembro, fui ao Baile da Bôta pela primeira vez — um rolê que já queria ir há tempos, pois sempre ouvia sobre como balançava a pista. Neste dia, o Baile comemorou seus 5 anos de história com uma festa de se falar por meses, e uma line que uniu os estados de Minas Gerais, Bahia e Pará. Desde o anúncio da comemoração, estava muito animada para conhecer a festa, e foi o que eu fiz. O resultado: dancei por todos os rolês que não consegui dançar o ano inteiro!


Em meio a um cenário de música eletrônica marcado por produções estrangeiras e sudestinas, o Baile da Bôta surgiu para expandir o horizonte com as produções musicais do norte e do nordeste. A festa tem o objetivo de valorizar a música popular e as produções de periferia, com um destaque para o recorte queer. São exaltados e trazidos para o palco artistas que compõem a música eletrônica brasileira de paredão, com uma mistura que inclui tecnobrega, piseiro, bregadeira, pagodão baiano, bregafunk, eletromelody e o funk de diversas partes do Brasil, além de influências afro-caribenhas. Tudo o que é mais gostoso!


Quem dá vida ao projeto é o trio composto por DJ Jambruna, DJ Cordoval e Charlotte Drag, que performam de forma vibrante, contagiando todo o público. Enquanto os DJs comandam a música com bregas pra arrastar até o chão, a drag queen Charlotte conduz a apresentação no microfone e serve os melhores lipsyncs.


A festa de aniversário do Baile da Bôta foi no Rooftop Shopping do Avião, em Contagem, região metropolitana de BH. Cheguei logo cedo porque não sou boba e queria aproveitar tudo desde o início. Me encantei só de pisar no chão e ver a estrutura do evento, com um palco enorme, telões maiores ainda para iluminar toda a pista e uma decoração festiva que deu o nome. O espaço era amplo, tinha comidas deliciosas com direito a gastronomia nortista, pessoas queridas te atendendo e diversos banheiros (com pia e espelho, tá? nada do banheiro químico convencional).


A DJ Jambruna abriu a festa arregaçando nossos corações com muito tecnobrega, que me fez sorrir e dançar o tempo todo. Não tinha jeito melhor pra começar a noite! É nítido o quanto sua pesquisa musical é forte, revelando a potência das festas de aparelhagem do Pará. Em seguida, conheci o trabalho da Paulilo, multiartista da cena de Salvador, que desde 2015, explora diversos gêneros como afrobeat, house e reggae, com ênfase nas baianidades. A artista marcou presença em diversos estados do país, pesquisando a cultura do pagode da Bahia e incorporando-a em sua identidade. Em 2019, ela criou o primeiro paredão LGBTQIA+ do Nordeste, o Paulilo Paredão, visando amplificar as vozes de identidades LGBTQIAPN+ presentes nessa cultura. No Baile da Bôta, botou a pista pra ferver e me teletransportou de forma mágica para o carnaval da Bahia, que eu tive a oportunidade de vivenciar este ano.


E como se eu não tivesse dançado em todas com a Paulilo, o evento logo foi tomado pela performance eletrizante da Gang do Eletro, grupo paraense que voltou com tudo pra BH depois de 5 anos longe dos palcos. Formado por Keila Gentil, Marcos Maderito, Will-Love e Waldo Squash, a gang foi um sucesso na década de 2010, com uma coletânea que conquistou o público na internet e nas festas de aparelhagem. Sua música é marcada por elementos do tecnobrega, da música eletrônica amazônica e letras que retratam o dia a dia de uma realidade periférica. Após um período de hiato, em que os integrantes resolveram se dedicar à carreira solo, a gang se reuniu novamente para trazer toda essa potência para os palcos.


Foi simplesmente uma das performances mais envolventes que eu já tive a oportunidade de vivenciar (sei que estou falando isso o texto inteiro, mas eu não consegui parar de dançar por um segundo). Sempre era surpreendida com uma faísca de energia que eu nem sabia mais de onde vinha para mexer com a intensidade do grupo, que ainda estava acompanhado de três dançarinos maravilhosos. Ao final da performance, a gang chamou o público para dançar no palco, e todos tremeram em velocidades inimagináveis. Naquele momento, o Baile da Bôta inteiro acelerou junto para fazer o chão de Contagem tremer.


Cansou? Porque tem mais! Logo depois dessas performances incríveis, Charlotte, Jambruna e Cordoval iniciaram o show ao som de Planeta de Cores, e todos (já me considerando uma bôtinhalover) nos entregamos. Tivemos algumas músicas para esquentar ainda mais a festa antes de sermos bombardeados pela presença de Vitty, convidada da anfitriã Charlotte. A performer baiana, de apenas 22 anos, mostrou que não é só a rainha dos memes, mas também a rainha dos palcos. Com uma presença enorme, cativou a todos com suas canetadas e uma performance de cair no chão. Não é atoa que Vitty é certeza de sucesso para qualquer artista que a queira em seu squad, e naquela noite isso não foi diferente.


E todo aniversário precisa de um parabéns né? Após a apresentação estrondosa de Vitty, nossos anfitriões seguiram a festa com músicas vibrantes até que fomos surpreendidas pelo Parabéns da nossa querida Pabllo Vittar, com direito a um bolo delicioso para todes que soubessem pedir. Que festa, viu? Ainda rolou um after de peso com Will Love e Maderito para trazer um “rockdoido” para quem fosse virar a noite, mas eu não fui forte o suficiente. Cheguei em casa feliz, com 10 anos a mais de vida e um sorriso que durou o resto da semana.


Acho que ainda nem processei tudo o que essa festa é e foi. Eu que cresci vidrada nas performances da Joelma e me apaixonei pela discografia da Gaby Amarantos, saí revigorada e pronta para bater ponto em todas edições com as bôtinhalovers. É impossível não querer se mexer a noite toda. Primeiro, porque a música é quente de verdade. Segundo, porque o público é mais quente ainda. Sempre que eu sentia uma dor no quadril e achava que não aguentaria continuar dançando, já começava outro batidão pra rebolar junto. Posso falar? Alterou a química do meu cérebro!


Fico extremamente feliz de ter uma festa tão linda com a cultura do brega e da música de paredão em Belo Horizonte, e com um público que vive, abraça e vibra com toda essa diversidade. Se você quiser celebrar a música brasileira da melhor forma, não pode perder o Baile da Bôta. Fui boba por todos esses anos e me arrependi de não ter ido antes, então se esse for o seu caso, não dá mole não hein? E se tiver que ir sozinhe, vai sem medo que o baile te abraça! Fui assim e nunca me senti tão livre e acompanhada pra dançar a noite toda. Sem dúvidas, se tornou uma das minhas festas favoritas. Viva o Baile da Bôta!


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