Sarará reúne todas as tribos no Parque Mangabeiras
- Júlia Ennes

- 28 de jun.
- 3 min de leitura
Festival atraiu público de diferentes regiões e misturou ritmos e culturas no pé da Serra do Curral

A 12ª edição do Festival Sarará aconteceu neste sábado (24), no Parque das Mangabeiras, em Belo Horizonte. Com a Serra do Curral de fundo, o festival foi palco de uma mistura de estilos e contou grandes nomes da música brasileira atual como Liniker e o rapper BK’.
A line-up trouxe ainda O Kannalha, Lamparina, Budah, TZ da Coronel, Febre 90, Iza Sabino e Afrekassia. Além disso, tiveram as apresentações “Ritmos do Norte com Carol Blois”, “Baile Room convida Febem e MC Morena”, “Red Bull Dance Your Style” e o projeto “Vem Pra Roda” – uma homenagem às raízes do samba, com rodas comandadas pelos mineiros Samba do Belka, Samba do Quintal, Três Preto, Samba no Topo e Samba do Cacá. A banda belo-horizontina Lamparina foi um dos destaques da tarde. Eles agitaram o público com seus maiores sucessos, especialmente do álbum Original Brasil. Em entrevista à Wanda, a vocalista Marina Miglio disse que tocar em casa é sempre melhor, pois sente que o público está mais conectado com as músicas. Porém, ela disse estar cansada dos hits que acumula. “É bom demais, mas nós também já não estamos aguentando mais tocar essas músicas”, brinca. “Ela quer as novas, gente!”, ri e completa o guitarrista e vocalista Cotô Delamarque.
Esta não foi a primeira vez que o Lamparina se apresentou no Sarará, mas no Parque Mangabeiras sim. O guitarrista Stênio Galgani destacou a importância de estar ali. “É necessário a gente ocupar essa Serra do Curral de forma consciente, principalmente, trazendo cultura, ao invés de outras coisas…”. O guitarrista parou a frase por aí, mas o colega de instrumento se arriscou em completar: “Ao invés de ser ocupada só por esses ricão safado”, brincou Cotô. Enquanto Lamparina agitava o palco Amstel, Iza Sabino rimava no Paredão. Para a cantora, estar entre as atrações de um grande festival na cidade onde nasceu é a realização de um sonho. “Foi um momento muito mágico, principalmente por estar com outras artistas que me representam e que eu admiro muito”, afirmou.
Pergunto à Iza se havia algum artista que ela estava ansiosa para encontrar nos bastidores e, sem hesitar, ela responde: Liniker. “Admiro muito ela e acredito que futuramente a gente tem muito a colaborar. As nossas músicas podem linkar bastante e eu pretendo fazer com que um dia isso aconteça”, revela.
E ela não era a única com grandes expectativas em torno da headliner. A MC, cantora e compositora Lua Zanella estava trabalhando na equipe de apoio do festival, enquanto aguardava ansiosa pelo show de Liniker. “As músicas dela são trilhas sonoras de todos os nossos perrengues, das nossas desilusões amorosas e também da nossa esperança — aquela que a sociedade não espera dos nossos corpos, mas que a gente precisa ter”, disse.
Teve também gente que veio de longe para ver a cantora paulista e os shows da noite. O relógio ainda não tinha passado das 14h e Cristiane já estava grudada na grade ao lado do amigo Guilherme. “Eu vou ficar [na grade]. Eu vim lá do Mato Grosso do Sul só para este festival”, conta.
Já Amanda veio do Norte de Minas para curtir o Sarará. “São muitas referências: Liniker, O Kannalha, que é da Bahia, ‘BK… Quero ver todos, esse grande encontro”, contou.
Com o cair da noite, o Parque das Mangabeiras foi enchendo cada vez mais de uma multidão que foi especialmente para assistir os headliners que fechariam o festival. ‘BK abriu o show com Cacos de Vidro, hit do álbum Diamantes, Lágrimas e Rostos para Esquecer com participação de Evinha. Foi um início arrepiante que deu o tom de um show cheio de mensagens profundas e referências a ícones da música brasileira – como é o último trabalho do rapper.
Por fim, Liniker fechou a festa com chave de ouro e atendeu as expectativas de uma multidão que tinha todas as letras na ponta da língua. A autora de Caju é gigante no palco. É dona não apenas de músicas que se conectam profundamente com o público, mas também de uma atitude e presença que prende o olhar da plateia.
O Festival Sarará, mais uma vez, provou ser um espaço de encontro entre culturas, sons e corpos. A line-up pode até não ter sido a dos sonhos para todo mundo, mas entregou. Foi, sem dúvida, a celebração da diversidade que o festival tem como bandeira.



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