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Conclave vai te prender do início ao fim, com momentos de cair o queixo e até algumas risadas pelo caminho

  • Foto do escritor: Gabriela Matina
    Gabriela Matina
  • 23 de fev. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: há 5 dias

Filme de Edward Berger mostra que a escolha de um novo Papa envolve mais intriga do que santidade


Ilustração de pessoa sem rosto em roupa vermelha e cruz dourada, sentada entre cadeiras azuis sob céu preto estrelado.
Ilustração Digital por Thalia Vargas

O Papa morreu e, com o trono da Santa Fé vago, os cardeais precisam escolher um novo líder religioso. Para isso, será realizada uma eleição popularmente conhecida como conclave, um processo milenar cheio de regras e tradições secretas. Esse é o ponto de partida do filme de Edward Berger, que concorre a oito categorias do Oscar, incluindo Melhor Filme.


Em Conclave, o cardeal Lawrence (Ralph Fiennes) é o responsável por conduzir a votação, mas enquanto assume um dos papeis mais importantes de sua vida, o protagonista passa a enfrentar uma crise de fé, questionando o papel da Igreja e seu próprio lugar dentro dela. Repleto das tensões e dúvidas que acompanham esse processo, o filme revela ao público as diversas tradições do Vaticano, desde como é feito o velório do Papa até a comunicação do Vaticano com a população por meio da fumaça.


Três semanas após a morte do Papa começam os preparativos para o conclave. Um bloqueador de sinal isola os cardeais do mundo externo ao Vaticano, e ao chegarem nos aposentos da Capela Sistina eles têm todos os aparelhos eletrônicos confiscados. A votação pode durar dias ou até semanas, até que um candidato obtenha pelo menos dois terços dos votos.


Ao longo da narrativa, sinais indicam que o Papa falecido (cujo nome nunca é citado) já havia deixado pistas sobre quem desejava ver como seu sucessor. Aos poucos, esses indícios começam a se revelar, tornando a corrida ainda mais tensa.


São muitos os mecanismos por trás da escolha do novo pontífice, sustentados sobretudo por um jogo de poder e pela formação de alianças entre os cardeais. Através do filme vemos como a própria Igreja é uma instituição frágil, liderada por homens cheios de falhas e pecados. A escolha do novo líder da Igreja não é simples e, aos olhos do público, nenhum dos candidatos é 100% confiável. Alguns escondem segredos, outros estão envolvidos em escândalos ou até mesmo corrupção.


A disputa se afunila e seis cardeais ganham destaque: Tedesco, Tremblay, Adeyemi, Lawrence, Bellini e Benítez. O confronto passa a se dividir então entre conservadores e liberais e, a depender do resultado da eleição, décadas de avanços dentro da instituição podem ser perdidas.


Sempre muito bem vestidos com suas roupas pomposas, os padres tentam tirar vantagem uns dos outros a todo momento, o que rende momentos de intriga e muita fofoca. O filme foi gravado em diversas locações na Itália, mas um estúdio em Roma, serviu como cenário principal, reproduzindo em detalhes os ambientes internos do Vaticano (que não permite filmagens em suas dependências).


Isabella Rossellini dá vida à freira Agnes, um dos grandes destaques do filme. Indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante (ela merece ganhar), sua personagem se sobressai em meio às demais freiras do Vaticano, que ao longo da trama aparecem apenas para servir os cardeais, arrumar os aposentos, cozinhar e manter a limpeza. Apesar de ter poucas falas, Agnes protagoniza momentos cruciais, sendo peça-chave em uma das grandes revelações do roteiro.


Conclave é provocativo, instigante e, em meio a tantas tensões, ainda arranca algumas risadas. Repleto de reviravoltas inesperadas, o filme conduz o público até um desfecho para alguns visto como contraditório, mas, sem dúvidas, surpreendente. Do início ao fim, prende a atenção e deixa aquela vontade de sair da sala do cinema debatendo cada detalhe. Afinal, na vida real, o que acontece no Vaticano geralmente fica no Vaticano.

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