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Corrida das Blogueiras encerra temporada celebrando trajetória do projeto e dedicação da equipe

Foto do escritor: Júlia Ennes
Júlia Ennes
26 de jan. de 2025
4 min de leitura

Atualizado: 31 de jul.

Apesar da dificuldade de encontrar patrocinadores, reality do Diva Depressão encerrou sexta temporada com teatro lotado e muito engajamento nas redes


Ilustração sombria de rostos esqueléticos brancos com olhos vermelhos, fundo preto, linhas amarelas e uma cruz.
Ilustração por Thalia Vargas.

A sexta edição do Corrida das Blogueiras, reality do canal do YouTube Diva Depressão, chegou ao fim na última terça-feira (21). A grande vencedora foi Palloma Tamirys, que recebeu 37,8% dos votos e conquistou a cobiçada coroa de cola quente. Com o Teatro Vibra São Paulo, um dos maiores da América Latina, lotado, a final foi uma verdadeira celebração de toda a história do programa, que teve início em 2018.


O reality, que busca revelar a nova blogueira de sucesso, é 100% transmitido gratuitamente pelo YouTube. Nesta edição, o Corrida apostou no formato All Stars, trazendo participantes das edições anteriores para uma segunda chance. Mas não foi um All Stars qualquer: mas um de “terror”, com ex-competidores “retornando do mundo dos mortos”, combinando com a estética marcante pela qual os idealizadores do projeto, Eduardo “Edu” Camargo e Filipe “Fih” de Oliveira, são conhecidos.


Ao longo de mais de duas horas de programa, Edu e Fih conduziram uma noite recheada de apresentações de ex-participantes e artistas, como Karol Conka e Lia Clark, que também marcaram presença em edições anteriores. Além disso, foram exibidos vídeos que relembraram os momentos mais importantes da edição e uma homenagem à equipe que tornou o projeto possível. Mais do que um simples retorno de participantes, a final foi uma celebração da trajetória do Corrida. Também estiveram presentes todos os participantes da edição, além das juradas fixas Lorelay Fox, Nátaly Neri, Renata Santti e Blogueirinha.


A final do CDB 6 contou com um público de 4 mil pessoas presentes no teatro e mais de 140 mil assistindo simultaneamente pelo YouTube. Até o momento desta publicação, a live que ficou salva no canal do Diva Depressão já ultrapassou 630 mil visualizações.


Para quem acompanha o programa desde o começo, é impressionante ver as proporções que ele alcançou. Segundo uma pesquisa da Wake Creators, o Corrida das Blogueiras é um dos reality shows favoritos dos brasileiros, com 3% de preferência do público. O programa do Diva Depressão ficou atrás apenas de grandes sucessos como Big Brother Brasil (61%), MasterChef Brasil (10%), Casamento às Cegas (8%) e De Férias com o Ex (4%).


O sucesso do CDB se deve, em grande parte, ao seu ineditismo no cenário brasileiro. Seguindo moldes de outros programas de sucesso internacionais, como RuPaul’s Drag Race (a referência fica muito clara, inclusive, no nome do programa), a cada episódio, os participantes enfrentam desafios que testam habilidades indispensáveis para ser uma blogueira de sucesso: maquiagem artística, customização de looks, boa comunicação, edição de vídeo e muito mais. Isso tudo com o humor e estética única do Diva Depressão.


Assim como Drag Race, o Corrida das Blogueiras não é apenas um programa de entretenimento, mas um espaço importante de diversidade e, principalmente, representatividade LGBTQIA+. Além de idealizado e apresentado por um casal gay, o reality sempre contou com um elenco diverso, de homens e mulheres, pessoas negras, LGBTs e drag queens.


A cada edição realizada, o público assiste os apresentadores falarem emocionados sobre o projeto. No entanto, a final da sexta temporada, ao mesmo tempo que foi emocionante, deixou pairando no ar um sentimento estranho de quase despedida.


Qualidade e números não são garantias quando se é LGBT


Desde a quarta temporada, em 2021, o programa vem enfrentando dificuldades para atrair patrocinadores que garantam a continuidade do projeto. Para a edição deste ano, a situação foi ainda mais crítica, chegando a ameaçar a realização do reality. A parceria com a Dia TV, produtora responsável pelo projeto, foi fundamental para a realização da temporada, além de outras marcas que eventualmente apoiaram a produção.


Em uma entrevista para o podcast Pit Stop das Blogueiras, apresentado por Huylson e Barbit (ex-participantes do Corrida), Edu e Fih falaram sobre as dificuldades que o programa tem enfrentado, mesmo diante do crescimento do projeto. “O dolorido é isso: ter muitas visualizações, engajamento, sucesso… mas isso não é garantia de nada”, declarou Fih.


Segundo os apresentadores, até a quarta temporada, eles conseguiram cobrir os custos com o valor que entrava pelas marcas. Porém, desde a edição de 2023, o programa passou a ser feito com Edu e Fih tirando dinheiro do próprio bolso, junto com o apoio da Dia TV.


A gente tentou tudo. Todo o planejamento foi feito. A gente não tá vivendo um bom momento para projetos LGBTs, essa é uma grande realidade”, afirmou Edu.

A fala de Edu reflete o que parece ser uma nova tendência de mercado: grandes empresas, como Microsoft, Google e Meta (dona do Facebook, Instagram e WhatsApp), cortaram seus programas de diversidade, pois o investimento em pautas LGBTQIA+ perdeu o retorno financeiro que tinha anos atrás. De acordo com a pesquisa Global Advisor LGBT+ 2024, da Ipsos, as marcas têm perdido o apoio ativo da sociedade em relação à promoção da igualdade para pessoas LGBT+ em todo o mundo.


Ao mesmo tempo, observamos um movimento nas emissoras de TV, como a Globo, que tem incluído personagens evangélicos e enredos com cenários rurais. Isso é uma resposta ao crescimento do conservadorismo mundial e à expansão do agronegócio (e todo um movimento cultural que é impulsionado por ele, como o agronejo). Talvez uma tentativa de balancear com a inclusão de personagens LGBTs e protagonistas negras?


O futuro do Corrida das Blogueiras


Ainda na entrevista ao Pit Stop, os apresentadores afirmaram que o futuro do projeto é incerto, e que a forma como ele tem sido feito hoje, com parte sendo financiada pelo próprio casal e pela Dia TV, é insustentável. “Se essa for a última temporada, foi A última temporada e a gente fez o que a gente acreditava”, afirmou Edu.


É triste ver um projeto tão incrível enfrentar tantas dificuldades. Diante de todo o entretenimento que o Corrida proporciona e do importante papel de levar diversidade para o audiovisual e mundo da “blogueiragem”, torço para que a retrospectiva de toda a história do programa e as homenagens feitas à equipe na final não signifiquem, de fato, uma "despedida", mas sim uma exaltação – pura e honesta – àqueles que, mesmo diante de todas as dificuldades de fazer audiovisual, especialmente sendo LGBTQIA+, acreditaram no projeto e fizeram tudo isso ser possível.


Que venha o Corrida das Blogueiras 7! Precisamos saber quem será o próximo a receber a tão icônica coroa de cola quente.


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