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Lady Gaga encara reflexo quebrado no maduro e nostálgico MAYHEM

  • Foto do escritor: Guilherme Vasconcelos
    Guilherme Vasconcelos
  • 6 de abr. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: há 18 horas

Lady Gaga na era Mayhem. Divulgação
Lady Gaga na era Mayhem. Divulgação

Desde o polêmico e subversivo ARTPOP, disco lançado em 2013, Lady Gaga parece ter enfrentado dificuldades em se reconectar com a identidade que a colocou em inúmeras listas das maiores estrelas pop do último século. Nos últimos 10 anos, a cantora buscou refúgio do “monstro da fama”, aventurando-se em projetos de jazz, country e assumindo alguns papéis no cinema — o que acabou fazendo com que os fãs cedessem à nostalgia e implorassem pelo retorno da “antiga” Gaga.


Embora a intérprete de Bad Romance tenha deixado bem claro que se sente mais madura e muito mais livre para explorar outras facetas e sonoridades, o sucesso tardio de Bloody Mary e o boom de sua discografia nos streamings parecem ter provocado Gaga a retornar, ou melhor, a reinventar o seu antigo som. MAYHEM, seu sétimo álbum de estúdio, chega carregado de músicas com referências aos seus primeiros projetos, ao mesmo tempo que se permite embarcar em novas influências.


“Não há mais lágrimas para chorar”, Lady Gaga canta para si mesma ao abrir o disco com Disease. O primeiro single oficial de MAYHEM apresenta uma cantora adoecida pela fama e em busca de ser “ressuscitada” por sua nova versão — alguém disposta a juntar os pedaços quebrados do próprio espelho e fazer as pazes com a persona provocativa e extravagante do início dos anos 2010. Em Abracadabra, esse elo se fortalece e Gaga se mostra pronta para se apropriar do fantasma da pista de dança, citado na ponte da música, que um dia a aprisionou. Embora o lirismo aqui soe um pouco caricato, o single é um prato cheio para os fãs que passaram anos pedindo o retorno do dark pop de The Fame Monster.


Retomando também a temática de seu álbum de estreia, Gaga não hesita em fazer um desabafo intenso sobre o peso de ser uma celebridade. Perfect Celebrity, faixa grunge com fortes influências do rock, mostra a cantora em um de seus melhores momentos. É um clássico instantâneo e deixa no ar o desejo de ouvir um álbum inteiro de rock assinado por ela.


Garden of Eden, Zombieboy e Killah também se destacam como pontos positivos por revelarem uma Lady Gaga bem-humorada e despretensiosa, livre da carga emocional que orbitaram os seus últimos projetos. Embalada por influências do rock clássico, disco e synthpop, a cantora aqui se permite, finalmente, se divertir com seu trabalho — algo que não acontecia há muito tempo. Na colaboração com o francês Gesaffelstein, Gaga mergulha de cabeça em “Fame” e presta homenagem ao seu maior ídolo e influência, David Bowie.


Embora traga faixas potentes em sua primeira metade, o disco perde força conforme avança. Gaga, que sempre brilhou ao entregar baladas majestosas, parece não se esforçar muito na romântica “Blade of Grass”. Inspirada em seu noivado, a canção que (quase) encerra o álbum soa como uma faixa inacabada, feita às pressas. Já o pop meloso de How Bad Do U Want Me não combina com a voz nem com a postura de Lady Gaga, e lembra uma música esquecida da Taylor Swift — é fácil revirar os olhos com o refrão genérico.


Em contrapartida, a gloriosa Shadow of a Man se destaca imediatamente na extensa discografia da artista. A homenagem ao rei do pop mostra Gaga reivindicando seu merecido lugar como uma mulher no topo do mundo. Aqui, ela recupera a confiança perdida nos momentos mais turbulentos de sua trajetória.


Ilustração Digital por Laís Fidélis
Ilustração Digital por Laís Fidélis

Em síntese, MAYHEM parece apresentar uma Lady Gaga madura, confiante e, acima de tudo, feliz. Embora esse não seja o melhor projeto da cantora, a mistura de sonoridades, referências e temas nos leva de volta, da melhor maneira possível, a quando Gaga surgiu na indústria, mas também nos desestabiliza com sua ambiguidade: o frescor de um novo momento de sua carreira ou a previsível concessão ao que se espera dela?


83/100

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