Quartinho: seu novo rolê de quarta-feira
- Gabriela Matina

- 25 de out. de 2024
- 3 min de leitura
Clube de discos criado por duas mulheres de BH propõe novas formas de ouvir e viver a música

Essa semana resolvi experimentar um rolê completamente novo. A convite de um amigo, fui conhecer o Quartinho, um clube de discos de BH onde a galera se reúne, sempre na quarta quarta-feira do mês, para ouvir e falar sobre música brasileira.
O álbum dessa edição foi o primeiro trabalho solo do Lô Borges (aquele que ficou conhecido como "o disco do tênis") e o lugar escolhido foi o bar Desde 1999, no Santa Tereza. No Uber a caminho de lá fiquei imaginando o que viria pela frente naquele mesmo dia.
Uma pesquisa rápida no Google para me distrair e descubro que a rua onde fica o bar, a Mármore, é a que tem mais bares em BH e esse no qual eu estava prestes a chegar funciona há 25 anos recebendo saraus, lançamentos de livros e exibições filmes.
Chegando lá, eu e Julia nos entreolhamos como quem dissesse: “Tá. E agora?”. Até que depois de poucos minutos fomos recepcionadas pela Débora Cançado, idealizadora do projeto junto de uma amiga, a Fernanda Almeida. Ela nos deu as boas-vindas, agradeceu pela presença e disse que às 20h30 começaríamos a ouvir o disco.
Ouvir música costuma ser um ato solitário, muitas vezes acompanhado de outras atividades, como andar de ônibus, trabalhar, caminhar. Foi refletindo sobre isso que a escritora Débora e a economista Fernanda criaram o Quartinho. Ali, a ideia é interromper qualquer atividade por cerca de meia hora e prestar atenção no que estamos ouvindo.
O esquema lembra um pouco o do Tranquilo. Você comenta em um post e recebe as coordenadas no direct. As idealizadoras até admitem terem se inspirado nele para criar o projeto, que começou como algo apenas entre amigos. Mas aqui o foco não é necessariamente descobrir novos artistas, e sim ter esse momento de atenção para depois conversar e trocar ideia.
Durante a audição silêncio total, mas não daquele tipo que intimida. Antes do play as meninas distribuem as letras das canções impressas ou em qr code para quem quiser ir acompanhando enquanto ouve. Descrevendo assim pode até soar meio esquisito ou alternativo demais, mas a real é que cada um aproveita o momento de sua forma. Em pé, sentado, de olho fechado, cantando ou lendo a letra da música.
Uma das partes mais legais da experiência, além de encontrar amigos e conhecer pessoas novas, foi o bate papo que tivemos. O processo de produção do disco, o próprio Lô conta que foi um sufoco. O convite surgiu da gravadora logo depois do sucesso do Clube da Esquina, mas acontece que ele, naquela época com apenas 19 anos, já tinha colocado em jogo todas as suas melhores composições.
Em algumas entrevistas ele também admite ter tido “preguiça” do disco por muitos anos, em grande parte por conta da densidade das letras, que refletem o momento vivido em 1972, de ditadura militar. Criando as melodias enquanto Márcio Borges criava as letras, Lô, ainda muito inexperiente, viu no disco o lugar perfeito para fazer todo tipo de experimentação, o que torna a experiência de ouvir ainda mais interessante.
Entre uns goles de xeque mate, depois que o disco acaba, a vontade é de continuar por ali papeando. Débora e Fernanda fazem questão de deixar o ambiente sempre o mais leve e acolhedor possível. Ah, e elas também montam uma (ótima) playlist que toca durante o rolê e é inspirada no disco de cada edição. Siga o @quartinhobh no Instagram pra ficar de olho nas próximas edições e, quem sabe, descobrir o seu próximo bar ou disco preferido.



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