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O novo álbum do BK é imperdível, entenda o porquê

  • Foto do escritor: Laís Fidélis
    Laís Fidélis
  • 9 de mar. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: há 5 dias

Ilustração estilizada do Rapper BK com cabelo e barba pretos, rosto vermelho, fundo verde e amarelo com faixas pretas radiais.
Ilustração por ThaliaVargas

Diamantes, Lágrimas e Rostos para Esquecer, o quinto álbum do rapper BK, chegou às plataformas no dia 28 de janeiro de 2025 e foi recebido de braços abertos pelo público e pela crítica. As faixas repercutiram positivamente nas redes sociais e emplacaram entre as mais ouvidas do Brasil, com toda razão.


Após três anos de hiato desde o álbum Icarus, BK deu sequência ao seu trabalho autoral com novas nuances de profundidade. Com um olhar mais atento para a música brasileira, o álbum DLRE resgatou referências importantes e estreitou laços com o ouvinte ao trazer repertório para uma juventude carente de sua própria cultura.


Samples


BK distanciou-se de modismos do rap e levantou suas bandeiras. Entre as 16 faixas, seis contam com participações de destaque do Samba e da Música Popular Brasileira, como Djavan e Milton Nascimento. Ao buscar por fontes nas décadas de 70, 80 e 90, o rapper trouxe à superfície contextos da black music brasileira. As colaborações do grupo Fat Family, Trio Mocotó e Evinha são uma afirmação de orgulho.


Para além, os samples são também uma forma de validar o sucesso do artista, visto que é preciso autorização para o uso de uma parte de uma gravação sonora. Com a participação de nomes de peso em seu novo álbum, BK se concretiza como um dos gigantes do rap nacional.


BK não, Abebe Bikila

Como se a busca por riqueza cultural não fosse o bastante, BK foi além e apresentou o embasamento histórico necessário para reafirmar as raízes afro-brasileiras. Ao liberar um filme oficial de DLRE, o artista revelou ao público sua viagem para Etiópia com o objetivo de se conectar com as origens de Abebe Bikila.


O maratonista etíope foi a inspiração para a mãe do rapper na escolha de seu nome. Seu xará, o primeiro homem a vencer duas maratonas olímpicas, se consagrou como um dos maiores maratonistas de todos os tempos e, apesar de BK não ser um atleta profissional, suas músicas carregam o simbolismo da vitória.




Símbolos africanos

O minidocumentário, com duração de 10 minutos e disponível no Youtube, remonta as histórias africanas que o inspiraram, contribuindo como um videoclipe para o álbum. A narrativa reforça a necessidade de se manter em movimento e o correr como uma forma de sobrevivência, uma vez que o perigo está sempre à espreita.


As imagens selecionadas como capas para cada faixa evidenciam as esculturas como amuletos de proteção. As máscaras africanas são utilizadas em rituais e têm grande importância religiosa, mística e espiritual para diversos povos.

Capa escura de álbum com símbolo africano avermelhado ao centro e textos no cantos cants inferior e superior
Capa da música Real em “Diamantes, Lágrimas e Rostos para Esquecer”, com escultura da África Ocidental

No Lovesong

De uma visão mais íntima, o vídeo reforça a mensagem das faixas: a dor de deixar para trás aquilo que um dia foi amado. Com letras menos românticas, observamos BK dar voz à sua jornada artística inevitavelmente solitária.


A procura pela realização pessoal tem um preço e o artista se mostra familiarizado com suas próprias perdas (“Sou minha empresa, o sócio majoritário / Todo campeão é solitário”).


“Esse álbum não é linear, você não precisa ouvir as músicas em sequência. Eu faço um retrato de um momento de desapego, de várias dinâmicas da vida: amor, família, amigos. Ele caminha por esse lugar de enfrentar a dor de seguir em frente”, explica o rapper em entrevista para Billboard Brasil.


Imperdível

Em um cenário musical constantemente em evolução, BK se destaca ao afirmar seu compromisso com a autenticidade. Abebe Bikila não apenas reforça seu lugar no rap nacional, mas também amplia seu discurso artístico, mergulhando em questões profundas e universais como perda, superação e identidade cultural.


Mais do que um álbum: é um testemunho da força e da luta de um artista em constante movimento, buscando sua realização em meio aos desafios da vida. Por isso, Diamantes, Lágrimas e Rostos para Esquecer é imperdível.

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