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Sex and the City de volta: por que nos identificamos com nova iorquinas de 35 anos do final dos anos 90?

  • Foto do escritor: Clara Campos
    Clara Campos
  • 9 de fev. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 29 de jun.

Nós estávamos nascendo e Carrie Bradshaw já tinha casa própria, um emprego estável e uma grande coleção de sapatos de grife – tudo isso em Nova Iorque


Ilustração abstrata de skyline urbano preto, com sol amarelo em raios sobre céu azul e faixa diagonal preta com bordas vermelhas.
Ilustração por Thalia Vargas.

No último ano, a única série que tentei acompanhar foi a famosa Sex and The City, indicação da minha melhor amiga, Letícia. Como todo início de seriado, demorei um pouco para me situar, mas logo me envolvi com a história das amigas Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda, quatro mulheres na faixa dos 35 anos e solteiras, como a própria série as apresenta. O enredo se passa na cidade de Nova Iorque entre o final dos anos 1990 e início dos anos 2000 e acompanha a vida cotidiana das quatro personagens principais.


A série é conduzida pela narração exclusiva de Carrie Bradshaw, jornalista de um grande jornal da cidade. Carrie escreve na coluna “Sex and the City”, na qual aborda temas sobre dia a dia, gênero, relacionamentos amorosos e, claro, sexo e a cidade de Nova Iorque. Mas, sobretudo, a personagem principal escreve sobre a própria vida e a de suas amigas: arrisco dizer que o tema principal de seus textos é a amizade do grupo e como as experiências que elas vivem, cada uma à sua maneira, podem ser de alguma forma universais para várias mulheres e, até homens também.


Nos últimos meses, a premiada Sex and the City – a série já garantiu diversos dos prêmios mais importantes da televisão como Emmys e Globos de Ouro – ressurgiu do nada e caiu no gosto dos jovens, sobretudo das mulheres, gerando vários memes nas redes sociais e até discussões sérias sobre as personagens e as situações vivenciadas por elas. Diferentemente de muitas produções televisivas, sobretudo estadunidenses, Carrie, Charlotte, Samantha e Miranda são personagens complexas, que poderiam ser e, muitas vezes são, mulheres reais. Quem é que não tem uma amiga estilo Carrie na vida?


O poder da amizade!


Individualmente, as protagonistas são bem diferentes umas das outras, cada uma com um tipo de personalidade, sonhos, medos, defeitos e qualidades diferentes. Mas, apesar das diferenças, todas elas convivem bastante e de forma harmoniosa. É realmente fato de que Carrie, Charlotte, Samantha e Miranda são amigas para “toda hora”, sempre se apoiando nas adversidades, algumas bem esquisitas inclusive, e curtindo os bons momentos da vida juntas. As famosas mesas de cafés e almoço das personagens se tornaram símbolos da série. Afinal, nada como sair para almoçar com as suas melhores amigas e falar sobre a vida de cada uma - e dos outros também!


Honestamente, em meio ao mundo patriarcal no qual nós crescemos e vivemos, com tantos desafios para se ter uma amizade verdadeira entre mulheres, o protagonismo da amizade em Sex and The City parece um refresco. Diante dos milhares de produtos culturais como filmes, séries, novelas, músicas e, até, desenhos animados que persistem até hoje e nos ensinam que mulheres devem competir entre si, uma série do final dos anos 1990 que exalta a união feminina é de se impressionar. Carrie e suas amigas não têm um relacionamento perfeito, às vezes discordam e discutem entre si mas, no final das contas, sempre se ajudam e querem a felicidade das outras.


No entanto, a série pode parecer se concentrar no fato de que elas são mulheres que têm mais de trinta anos e não são casadas, o que é visto como uma grande questão pelo grupo, de maneiras positivas e negativas. O casamento parece uma grande finalidade na vida de uma mulher e todas elas, naturalmente ou não (Oi, Charlotte!), deparam-se com essa possibilidade em meio à correria do trabalho e da vida no geral.


Por que Carrie Bradshaw nos faz passar tanta raiva?


Apesar de ser uma série um tanto progressista para os anos 1990-2000, o enredo de Sex and The City ainda acaba se concentrando muito no relacionamento entre Carrie e o tal Mr. Big - grande empresário e magnata de Manhattan. Entre idas e vindas, a relação complexa e conturbada entre os dois dá pano para manga a série inteira e me faz questionar: por que uma mulher gente boa, bem sucedida, de cabelo impecável e interessante como a Carrie me irrita tanto? Por que ela frequentemente faz escolhas de vida tão pouco inteligentes? Por que ela não larga esse Mr. Big e vai viver a vida? Todos têm seus momentos, mas será que a Carrie na verdade é simplesmente burra? São tantas questões…

Samantha Jones loira de suéter vermelho em café, falando com expressão séria.
Cena de Sex and the City. "Se você tivesse 25, isso seria adorável, mas você tem 32 agora, então isso é apenas estúpido" -Samantha Jones

O mais revoltante na Carrie é justamente o fato de que ela é uma mulher real, que passa por situações ruins e que comete erros que tantas de nós já cometemos e vimos nossas amigas cometerem. A maior diferença entre nós e a protagonista de Sex and The City talvez realmente seja a de que enquanto estávamos nascendo ela já tinha uma casa própria, um emprego estável e uma grande coleção de sapatos de grife. E, provavelmente, a maior semelhança também possa ser a de que ter um grupo de melhores amigas fieis pode tornar sua vida muito mais leve, agradável e bonita.


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