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É tempo das mulheres místicas

Foto do escritor: Maria Fernanda Marques
Maria Fernanda Marques
22 de mar.
3 min de leitura

Conheça um pouco do processo criativo de Água na Boca, o novo lançamento audiovisual da artista belo-horizontina Yoyô


Três cartas estilo tarô sobre fundo preto; a central vermelha mostra símbolo feminino, com mãos amarelas e estrelas nas laterais.
Ilustração Digital por Laís Fidélis

“Eu gosto de brincar que eu sou bruxa, da lei da atração. Tudo que eu quero eu dou um jeito e a coisa vem até mim”, conta a cantora e compositora belo-horizontina Yoyô, que acaba de lançar o videoclipe de Água na Boca, parceria com o artista paulista Red Lion (assista abaixo). O trabalho reúne sensualidade, misticismo, maximalismo e uma estética brasileira que vem marcando a nova cena feminina da música. A Wanda conversou com Yoyô sobre o processo criativo do videoclipe.


Mulher em sofá, com traje cravejado e calça zebra, pose sensual em luz dourada; fundo suave e luxuoso.
Yoyô no clipe de Água na Boca. Reprodução: Amira (@amirahissa)

Dirigido criativamente por Yoyô e pelo multiartista belo-horizontino Gavioli, o videoclipe traduz a energia da frase sobre a lei da atração. É um trabalho que ela define como intuitivo e místico desde o nascimento da música: “desde que eu e o Red Lion fizemos a música, eu senti uma pegada meio mística nela, além do dancehall, dessa vibe contemporânea, eu queria trazer uma coisa meio mulheres místicas para o trabalho”.


Elke Maravilha e as lendas femininas


Para traduzir a atmosfera mística que já nascia na colaboração com Red Lion, Yoyô buscou referências em figuras femininas icônicas, míticas e folclóricas, algo que já vinha estudando a meses. Dentre todas, uma se destacou: Elke Maravilha.


“Com isso na cabeça e com vontade de trazer uma figura brasileira como referência, acabei chegando na Elke, uma mulher que, apesar de não ser brasileira de nascimento, tinha a força e a autenticidade que eu buscava naquele momento. Além disso, quando descobri que ela cresceu em Minas, me identifiquei ainda mais”.


O exagero — no melhor sentido da palavra —, o mistério e o maximalismo da modelo e performer russo-brasileira serviram como base para figurinos, maquiagem, cabelo e também para a direção de fotografia do clipe. “Além do uso no styling, queríamos que tudo tivesse a energia dela: as expressões, o sorriso, até o uso das cores. E acho que, no final das contas, conseguimos”.


Modelo em passarela, com coroa de cristais, cabelo branco volumoso e vestido branco, olhando para cima com expressão dramática.
Elke Maravilha no júri do “Programa Silvio Santos”, do SBT (Reprodução/Revista Veja)

Yoyô conta que a admiração por Elke não vem apenas da estética da artista, mas principalmente por sua força e postura política — principalmente em épocas de repressão. Ela chegou a ser presa por protestar contra o assassinato de Stuart Angel, filho da estilista Zuzu Angel, em 1972, e recusou a anistia pós-ditadura pois não achava que devia pedir perdão pelo que fez. “Ela é uma figura em que me inspiro muito, porque estava muito à frente de seu tempo. Pregava o amor pelas crianças e pelos animais, a liberdade feminina. Foi muito legal me ver nela de certa forma”.


Parcerias especiais


A ficha técnica de Água na Boca é, em sua maioria, composta por artistas belo-horizontino, um prato cheio para conhecer melhor a cena artística local. Para mim, um dos pontos altos do clipe é o styling, assinado pela stylist Maria Virgínia. Yoyô se diverte ao lembrar de como se conheceram.


“Adoro contar essa história porque foi muito aleatório. Ela entrou no ônibus pra São Paulo muito agitada, procurando um lugar para se sentar. Eu ofereci o assento ao meu lado e, na hora, já vi que ela tava toda estilosa. Perguntei se ela trabalhava com moda e ela disse que sim. Aí eu fui vender meu peixe, né? Desde então estamos trabalhando juntas. Eu atraio as coisas”.


O figurino viaja entre referências carnavalescas, moda de estúdio e elementos folclóricos, costurando (com o perdão do trocadilho) o contemporâneo da música ao misticismo do videoclipe.


Já na direção criativa, Yoyô conta como ela e Gavioli se encontraram na referência à Elke. “Essa é a parte mais legal do trabalho criativo: o encontro com outro criador na mesma vibração. Eu e o Gavioli nos encontramos muito nessa referência. A Elke já era uma inspiração nossa antes do projeto, mas a ideia se encaixou ali”.


A sintonia dos dois é visível no resultado final — um clipe que trabalha sensualidade e mistério, dialogando com movimentos recentes encabeçados por outras mulheres da música nacional, como Marina Sena, Mc Tha, Nanda Tsunami e Urias.


Mulher flutua sob a água com tecido vermelho, em piscina azul-esverdeada, de olhos fechados e clima sereno.
Yoyô no clipe de Água na Boca. Reprodução: Amira (@amirahissa)

Próximos passos


Orgulhosa, a artista vê Água na Boca como um divisor de águas. “Eu acredito que esse seja meu projeto mais profissional, mais bem desenvolvido até agora. Desde a pesquisa até a montagem final com a equipe. Sinto que ele é o primeiro passo de uma nova era na minha carreira”


Com equipe consolidada e um plano de lançamentos consistente, ela antecipa novidades — entre elas, um feat com FBC, um dos nomes mais influentes da música mineira. “Esse ano é de construção de repertório pra mim. Tenho muitos lançamentos planejados, um projeto conciso, do qual eu e minha equipe nos orgulhamos muito.”


Assista ao clipe de Água na Boca:



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